sábado, 27 de abril de 2013

Mas o que é um restaurante?

Cá estou eu, depois de um tempão outra vez, por aqui.
Navegando pela rede, lendo blogs e afins, me ocorre que a internet transforma e deforma.

Trabalhei cozinhando em restaurantes durante uns 15 anos da minha vida. Não é muito.
É muito o que ainda tenho que aprender.
Mas também sei de algumas coisinhas bem interessantes, além de receitas e de cozinhar sem elas.

Cozinha de casa é uma coisa. Cozinha de restaurante é outra coisa, completamente diferente.
Elas têm em comum alguns equipamentos, mas diferem na capacidade/potência deles;
Em ambas são preparados alimentos crus e cozidos, mas diferem no volume e na quantidade deles;
Em casa se espera uma comidinha gostosa, no restaurante se espera perfeição.

Chef de cozinha é um cozinheiro, que provavelmente, tem mais experiências do que os outros daquela cozinha, ou por tempo de profissão, ou por competência mesmo, uma vez que o cargo que ele ocupa é o de chefe. Como um chefe de setor em qualquer outro segmento.
Nem sempre o chef de cozinha é o dono do restaurante, nem sempre o chef de cozinha define o cardápio, nem sempre o chef de cozinha administra mais do que a cozinha propriamente dita e às vezes, nem mesmo administra esta!

Um restaurante é um organismo complexo e delicado.
Um emaranhado de mínimos detalhes: lay out, salão, compras de insumos de limpeza, descartáveis, alimentos secos, alimentos perecíveis, alimentos congelados, vinhos, cervejas, destilados, xaropes, insumos para confeitaria, equipamentos de cozinha, móveis de cozinha e de sala, de bar, áreas comuns, áreas reservadas a staff, administrativo, RH, gerência, chefia, almoxarifado, contador, cozinheiros, ajudantes, cumins, serviços gerais, manutenção...e tantas outras coisas mais.
Todas essas e mais outras devem trabalhar em sintonia e compasso bem ajustadinho, afinado mesmo.
Este complexo e delicado organismo, por ser vivo, é passível de mudanças, altos e baixos, como, por exemplo, alta rotatividade de funcionários- que geralmente se deve à questões administrativas, dias de grande movimento, dias de pouco movimento, falta de pessoal, problemas de manutenção, como no ar condicionado, na exaustão...parecido com a casa da gente, que às vezes falta luz, a geladeira quebra, o liquidificador queima, enfim...coisas frugais da vida!

Vale considerar essas coisinhas e outras tantas mais, quando se resolve ir a um restaurante. É claro, que, aos finais de semana, feriados, domingos, (principalmente para alguns restaurantes mais familiares) o movimento é maior. E quanto maior é o movimento, maior  o risco de se ter "surpresas", como filas, garçons correndo feito loucos, ambiente barulhento e serviço confuso.

E também vale considerar que boa parte da responsabilidade sobre a sua experiência naquele lugar é SUA.
Avalie a sua real vontade de sair de casa, avalie a sua disposição para esperar, sua receptividade para ter surpresas nem sempre boas, seu humor, também, porque não?

Eu mesma, não é todo dia que estou a fim de ter experiências como a de ir conhecer um novo restaurante e, sinceramente, acho um saco um lugar lotado, barulhento, confuso e corrido. Prefiro ficar em casa.
E se vou num domingo, ou sábado à noite, já vou sabendo o que me espera.
Nem por isso deixo de ser educada, gastar os boa noites, por favores e muito obrigadas, os sorrisos e gentilezas. Afinal, eu fui porque quis e lá estou. Tenho obrigação de me divertir e não deixar que nada estrague meu momento.

Cliente também deveria ter um manual de etiquetas para ser bem atendido e se divertir como esperado em restaurantes!